quarta-feira, abril 11, 2012

Paisagem Fenomênica

No quarto, apenas remédios
Uma roupa suja jogada ao chão
Três livros empilhados na estante
45 folhas de papéis rabiscados
espalhados por todo o canto.

No seio, uma vontade de potência.

No peito, um ritmo pausado e lento.

Na mente, frases de impacto em latim
Uma vontade louca de superar a si mesmo
Pela luz do esclarecimento
Pela ideia de conceber a si como um outro.

Na janela, olhares admirados
Nas admirações, repúdio e inferioridade
Na certeza, um litro de formol
Na dúvida hiperbólica, a certeza do não cogito.

Nas notas, Descartes, Kant, Fitche, Nietzsche...

No chão, lágrimas de redenção.
No céu, um limite a se colocar.
No sofrer, alegria.
No vontade, a emancipação.
No grito que enfim bradou, Sapere aude!

sexta-feira, julho 29, 2011

Muros e Grades

Imaginado po Humberto Gessinger e Augusto Licks
(Engenheiros do Hawaii)


Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras, entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo pra descobrir
Que não é por aí... não é por nada não
Não, não pode ser... é claro que não é, será?

Meninos de rua, delírios de ruínas
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras, entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez

Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder

quarta-feira, junho 15, 2011

Mar de Mudanças

Eu era um quando criança
Cresci e mudei, hoje sou outro.
Alguns até me tratam pelo meu sobrenome,
E os diminutivos já se foram.

As pessoas me olham diferente
Chamam-me diferente
Tocam-me diferente
Fogem de mim de forma diferente

Antes as pessoas corriam só no polícia e ladrão
Escondiam-se apenas no pique-esconde.
Agora não. Agora isso mudou um pouco
Correm e se escondem por razões muito diversas.

Umas correm sem por que
Outras correm de seus medos.
Algumas correm atrás de sonhos...
Ou será que fogem de pesadelos?

Hoje há quem se esconda para ficar só
Outros se escondem para abrigar suas fraquezas.
Há também quem procure pelos escondidos
Sem saber que se esconde também.

Em meio a esse mar de mudanças
Fico parado olhando tudo
Achando que estou indo em frente
Quando na verdade regresso sempre mais.

domingo, maio 22, 2011

Para Não Sentir

Para não sentir
Sorriso no chorar
Desgosto, alma caída
Pranto na conformação

Para não sonhar
Esquecido, me perdi
Esgotei-me em respirar
Temi em emoção

Descontrolei-me em meu corpo
Vícios brotaram na mente
Latências, no peito
Descrenças, na alma

Eis-me agora....

Ofegar, crer, queimar!
Ver o ódio resplandecer!
Virtude na vingança!
Desalmado florescer!

sábado, abril 30, 2011

O Lamento dos Afetos

Escrito em 2008

Superar o hoje em troca do amanhã.
Que será que cantam por lá?
Partir rumo a risos e lágrimas
Sentem-se e agora assistam
Não se cansem em esperar
Vejam, o carnaval chegou!

Tropeçar e ir além do chão
Ir ao infinito em uma queda
Resguardar o erro
Esquecer o imprescindível
Mitificar o material
Glorificar o desimportante.

Morrer não é o final?
Talvez seja...
A questão não é essa:
Para viver é preciso ir além
Romper com a própria vida
E amá-la ao mesmo tempo

Entender a lógica da totalidade
A clareza do específico
E conseguir ir além de tudo isso.
Seguir é meio foda à vezes
Correr é uma porra-louquice.
E o que mais se pode fazer?

Eu te disse algumas coisas,
Você não ouviu?
Escutei você falar tudo,
Você não disse?
E mostrei que não sou tão
Fraco como você pensou.

O silêncio não me faz calar
Jamais fará, pois mesmo que eu me cale
Calar-me-ei gritos de horror
Emudecerei glórias de felicidades
Silenciarei em palavras de grandeza.
Não sobrará nada mais além de tudo.

blog criado em 23 de Julho de 2009

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