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quarta-feira, abril 11, 2012

Paisagem Fenomênica

No quarto, apenas remédios
Uma roupa suja jogada ao chão
Três livros empilhados na estante
45 folhas de papéis rabiscados
espalhados por todo o canto.

No seio, uma vontade de potência.

No peito, um ritmo pausado e lento.

Na mente, frases de impacto em latim
Uma vontade louca de superar a si mesmo
Pela luz do esclarecimento
Pela ideia de conceber a si como um outro.

Na janela, olhares admirados
Nas admirações, repúdio e inferioridade
Na certeza, um litro de formol
Na dúvida hiperbólica, a certeza do não cogito.

Nas notas, Descartes, Kant, Fitche, Nietzsche...

No chão, lágrimas de redenção.
No céu, um limite a se colocar.
No sofrer, alegria.
No vontade, a emancipação.
No grito que enfim bradou, Sapere aude!

quarta-feira, junho 15, 2011

Mar de Mudanças

Eu era um quando criança
Cresci e mudei, hoje sou outro.
Alguns até me tratam pelo meu sobrenome,
E os diminutivos já se foram.

As pessoas me olham diferente
Chamam-me diferente
Tocam-me diferente
Fogem de mim de forma diferente

Antes as pessoas corriam só no polícia e ladrão
Escondiam-se apenas no pique-esconde.
Agora não. Agora isso mudou um pouco
Correm e se escondem por razões muito diversas.

Umas correm sem por que
Outras correm de seus medos.
Algumas correm atrás de sonhos...
Ou será que fogem de pesadelos?

Hoje há quem se esconda para ficar só
Outros se escondem para abrigar suas fraquezas.
Há também quem procure pelos escondidos
Sem saber que se esconde também.

Em meio a esse mar de mudanças
Fico parado olhando tudo
Achando que estou indo em frente
Quando na verdade regresso sempre mais.

domingo, maio 22, 2011

Para Não Sentir

Para não sentir
Sorriso no chorar
Desgosto, alma caída
Pranto na conformação

Para não sonhar
Esquecido, me perdi
Esgotei-me em respirar
Temi em emoção

Descontrolei-me em meu corpo
Vícios brotaram na mente
Latências, no peito
Descrenças, na alma

Eis-me agora....

Ofegar, crer, queimar!
Ver o ódio resplandecer!
Virtude na vingança!
Desalmado florescer!

sábado, abril 30, 2011

O Lamento dos Afetos

Escrito em 2008

Superar o hoje em troca do amanhã.
Que será que cantam por lá?
Partir rumo a risos e lágrimas
Sentem-se e agora assistam
Não se cansem em esperar
Vejam, o carnaval chegou!

Tropeçar e ir além do chão
Ir ao infinito em uma queda
Resguardar o erro
Esquecer o imprescindível
Mitificar o material
Glorificar o desimportante.

Morrer não é o final?
Talvez seja...
A questão não é essa:
Para viver é preciso ir além
Romper com a própria vida
E amá-la ao mesmo tempo

Entender a lógica da totalidade
A clareza do específico
E conseguir ir além de tudo isso.
Seguir é meio foda à vezes
Correr é uma porra-louquice.
E o que mais se pode fazer?

Eu te disse algumas coisas,
Você não ouviu?
Escutei você falar tudo,
Você não disse?
E mostrei que não sou tão
Fraco como você pensou.

O silêncio não me faz calar
Jamais fará, pois mesmo que eu me cale
Calar-me-ei gritos de horror
Emudecerei glórias de felicidades
Silenciarei em palavras de grandeza.
Não sobrará nada mais além de tudo.

terça-feira, abril 19, 2011

Portas que se Abrem

Abre a primeira porta

Entrar e sorrir. Chorar e temer.
Dor no peito. Dor na alma
Exultação no corpo... na mente
Eis a vingança do real sobre o abstrato

Abre a segunda porta

Correr para onde não mais
Sem limite para se alcançar
O limiar do infinito é restivo
Para reiniciar e agonizar no final

Abre a terceira porta

Onde estás? Não sabe.
Perder-se em si mesmo
Correr dos seus sonhos
E procurar o próprio receio

Abre a última porta

Sair e chorar. Sorrir e aliviar.
Ânimo no coração. Ânimo no espírito
Tristeza na carne... no pensar
Eis a revolta do abstrato sobre o real.

terça-feira, março 01, 2011

Espaço Alternativo

Ao mar
Ao léu
Ao andar
Ao vento

A sombra que se vai
O pecado que não volta
O erro que insiste
A verdade que incomoda

À luz
À verdade
À solidão
À desesperança

A luz que toca o mar
O pecado que se vai ao léu
O erro presente no andar
A verdade contida no vento

Isolado em meio a um mar palavras vazias, cheias de sangue e veneno: um corpo gélido cheio de morte, cheio de poesia, cheio de dor, cheio de angústia.

Fétido era
Sorrir não mais
Maravilhoso flutuar
Transcender, libertar!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Passagem

De vez em quando, ainda vejo os retratos quebrados no chão, o resto de uísque que não tive estômago para terminar de beber. Vejo os lamentos na parede, o sangue escorrendo na pia do banheiro e sinto ainda aquele mesmo frio na barriga, a sensação ruim do desespero.

Os frutos são amargos, porém medicinais.

Adeus.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

De mim, sobre mim e para mim

Derramando ódio ardente sobre o seu ventre. Fecho a porta, destruo a luz que se apaga. Recomeçar não é repetir, ter isso em mente é vagar no ar da coesão.

Fugir? Diga-me para onde. Mas, você não sabe, não é mesmo?

Admita, você perdeu.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Buscando Alcançar

Ver o pôr-do-sol
Carregar consigo a vontade de tê-lo em mãos
E ir até lá
Buscando alcançar o que o coração ordenar.

Um olhar para trás
Ver a praia que ficou na lembrança
E se pôr a andar
Buscando alcançar o que o coração ordenar.

Iluminado era:
Tudo em torno de si escurecia
E perseverar
Buscando alcançar o que o coração ordenar.

O mar é súbito
Ora se agitava no nível do inexorável
E fadigar
Buscando alcançar o que o coração ordenar.

Era difícil aceitar
Porque alcançar o sol era tão difícil?
E indagar
Buscando alcançar o que o coração ordenar.

Anoitecia enfim
E o sol se despedia deixando no ar o desespero
E chorar
Sem poder alcançar o que o coração ordenar.

Porque, céus?
Porque não poderia conseguir o que sonhar
E desesperar
Sem mais entender o que o coração ordenar.

Perdido em si
Sem caminho, sabendo que parar não poderia
E continuar
Ignorando para sempre o que o coração ordenar.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Poesia Amiga...

Poesia amiga,
Desculpe pelas minhas agressões
Perdoai esse tolo infeliz
Por te torturar por tanto tempo.

Perdoa esse criminoso que tanto
Te matou, sem jamais te dar uma chance...

Prometo não mais fazer isso
Prometo me matar em silêncio
De hoje em diante...

quarta-feira, setembro 01, 2010

Desequilíbrios...

Os meus desequilíbrios me são distintos:
Um é o desequilíbrio do não recíproco
O outro é o desequilíbrio do psíquico.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Passividade

Entre cada passo eu passo o impasse
Fui impassivo e transgressor
Meus instintos de rebeldia eram minha marca
E não aceitava a opressão
E os tempos pueris na chibata me incomodavam.

E hoje, somente hoje
Depois da revolta e da explosão
É que tive de aceitar
Que sozinho eu não mudo o mundo
E que tenho de me adaptar
A viver essa vida de horror
Para, enfim, chegar a lugar algum.

E entre cada passo eu me pacifiquei
E passivamente fui adestrado
A ser o que eu mais temia:
Um ser do orgulho calado.

domingo, agosto 15, 2010

Dilacerações

O tempo insiste em passar
E as pessoas vão ficando para trás
O tempo insiste em passar
E as pessoas vão ficando
Vão ficando...

Caminhar pelas ruas não tem a mesma graça que tinha antes
Suspirar pelos corredores não faz mais sentido
Então porque eu ainda continuo?
Porque continuar a andar e suspirar?

Olho para os lados e não vejo ninguém
Vejo apenas a sombra do que se foi
Somente a projeção do seu rosto a sorrir
E uma lágrima a se formar em seus olhos
Mas logo percebo que a lágrima corre em mim.

Cometemos erros graves
Quando tentamos explicar o que não se explica
Materializar o que não se vê
Entender o incompreensível
Porque fazemos isso?
Porque assim?

O tempo insiste em correr
E as pessoas vão olhando para trás
O tempo insiste em correr
E as pessoas vão olhando
Vão olhando...

Sinto o incômodo da faca cravada em meu peito
E fico tentando entender o porquê de tantas facas
E tentando contar as cicatrizes que não se curam;
E morrendo um pouco mais a cada instante

O vento bate e carrega minha alma para longe
E não vejo mais você do meu lado
E te procuro um pouco mais pelas ruas
Sem a real intenção de te achar
Para fugir de mim em ti

O tempo insiste em passar
E as pessoas vão ficando para trás
O tempo insiste em passar
E as pessoas vão ficando
Vão ficando...
Vão chorando....

sexta-feira, agosto 13, 2010

Redondilha, quase ode, a uma amiga

Para Maraiza Gomes

Num mar de tênues palavras
Esta redondilha eu pesquei,
Formando-lhe esta ode
Que com amor modelei.

Nesta casta amizade,
Versos redondos compus.
E neste doce fulgor
Sua vida me conduz.

Sete sons tenho aqui,
Sete dons tu tens aí.
E no teu semblante frágil
Muita vida lhe sorri.

Já não sei como fazer
Já não posso mais pensar.
E no meu inverso verso
Para ti irei clamar.

Nos penhores da solidão
Eu clamo por majestades,
Mas só penso em ti, amiga!
E transbordo de saudades

Findo aqui redondos versos
Que modelei com amor:
Sua figura resplandece
Ilusões que desvanece!

sábado, julho 10, 2010

Desculpas tardias

Sempre andei ao ócio,
Acumulando dores e horrores
E foi no seu andar que o meu compasso se refez
E passo a passo pude te acompanhar...

Peço desculpas por nunca ter te agradecido
E ter te devolvido tudo com sangue é ódio.

Pena que hoje seja tarde demais...

domingo, julho 04, 2010

A Dança Vida-Morte

morrer é oportuno
viver é infortúnio
morrer é dádiva
viver é lágrima
morrer é cantar
viver é calar
morrer é autonomia
viver é imposição
morrer e alegria
viver é decepção
morrer não é viver
viver é sempre querer morrer.

sábado, junho 26, 2010

Bem de Longe...

Talvez você veja a minha expressão bem de longe
E sinta em seu íntimo que eu mudei muito
E verá que eu não sou aquele de antes

Se evolui ou não, não cabe essa discussão agora.

Porém, vejo-te daqui e sinto que você não mudou
Percebo que é a mesma de sempre
Mesmo depois de tantos anos de ausência.

Tantas outras mentes lerão isso
Desconfiadas a quem endereço essas palavras,
Porém, julgo-as tolas
Por não serem capaz de imaginar
A verdade!

Julgo-me tolo, por não perceber
Que você não tomará conhecimento disto
Não saberá o quanto eu ainda penso
E escrevo a ti.

Sinto apenas que é tarde demais
E que não pude viver a tempo
De agradecer a sua ajuda
Por ter me aberto os olhos
E me fazer notar que minha vida não prestava
E jamais prestaria, como nunca prestou.

Queria apenas que você visse o que fiz comigo hoje
Por sua causa...

domingo, junho 06, 2010

Posso, Poder

Eu poderia ser o que quiser
De deserto a maré
Poderia fazer o que puder
Até uma estrofe de quatros versos, sendo o último branco e longo ao extremo.

Posso correr pelas calçadas das avenidas
Posso gritar o seu nome por aí
E te procurar nos lugares mais improváveis.

Posso pular, cantar e me desagradar.
Ser o herói ou o vilão que eu quiser
Ser tachado de louco
De lúcido.

Variar entre ouvir música ou uma piada
Assistir a TV ou o brilho dos seus olhos
Apaixonar-me pela vida
E amar a mim mesmo

Esquecer o tempo
E lembrá-lo amanhã
Como se o amanhã nunca mais fosse existir.

Posso fazer estrofes de um verso

Posso viver pelo hoje
E deixar o amanhã para o amanhã.

Posso ser até o que não me permitem
Posso censurar a censura
Posso ser preso
E impedido de ir e vir
Posso não poder
E poder não querer.

Só o que não posso
É deixar de poder.



E deixar o poder.

quarta-feira, maio 19, 2010

Três Revelações Em Um Quarto Escuro

A ironia de se estar sozinho é perceber que você não pode contar nem consigo mesmo. O fantástico de andar na solidão é que você descobre que a pessoa que mais te decepcionou foi você próprio. O engraçado de estar só é que você descobre o gosto – ora doce, ora amargo – da verdadeira liberdade.

quarta-feira, maio 12, 2010

Você não poderia...

Não!

Não há ser que se apaixone por mim
As palavras postiças atropelam-me a cada dia.

Jamais serei capaz de entender alguém
E tão pouco serei capaz de frear as intrigas alheias.
Se te ofendo, é na intenção de lhe ferir
E jamais na intenção de lhe acariciar
Creio que isso agora esteja mais claro.

Os anjos são figuras abstratas
Sou lobo que quis ser homem
E tudo que me tornei foi essa aberração.

A paixão é uma brincadeira muito perigosa,
Pois é como o fogo em pele de gente:
Queima, deixa marcas e depois apaga...

Mas a cicatriz permanece.

blog criado em 23 de Julho de 2009

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