Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Com o poeta no porta-malas

Sugerido por Leandro Mayfair

Os gritos de dor se misturavam com o brilho das luzes da cidade que corriam diante do nosso carro parado a 200km/h. No porta-malas, o poeta gritava enquanto bebíamos incansavelmente todos os seus lamentos. Sua voz era ouvida mesmo com o barulho do motor, do rádio ligado e das nossas risadas latentes: ele tinha a voz dos céus, dos infernos e dos limbos.

Falava do desespero. Falava da dor. Clamava por deuses que não podiam salvá-lo. O desespero em busca de viver se confundia com o amargo vício da procura pela morte. E nesse paradoxo inebriante, nos embriagava enquanto seguíamos rodovia afora com o mártir amarrado e trancado no porta-malas.

Quanto maiores eram os gritos de horror, mais intensas eram as nossas risadas. Tínhamos brilho nos olhos e sangue nas veias... pela primeira vez tínhamos vida em nossas mentes.

Pela primeira vez aquele poeta tinha lágrimas em seus olhos. Pela primeira vez, sabíamos o que era viver. Pela primeira vez, sabíamos o que era morrer.

Se essa história acabaria, não sabemos. Histórias com finais felizes de nada valem, mas não temos a frieza de transformar o final em tragédia. Além disso, quanto mais o poeta se contorcia, quanto mais ouvíamos os seus gritos, mais não queríamos que aquilo acabasse. Histórias sem fim são mais... “legais”.

Senhoras e senhores, apresentamos a vocês o espetáculo alegria: o riso do horror, o clamor pela vida, a luta pela morte, a busca pelo descontrole, o fervor do desespero, a risada da dor, o choro do sorriso e elogio do inefável.

Nos vemos na próxima curva. Adeus.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Do Afeto

Atendendo ao pedido de Érika Ramos

Ela andava pelas ruas à procura de seu noivo perdido. Onde ele se meteu? Não parava de se perguntar.


Nunca mais o viu novamente.

A gente ia se casar no ano que vem, lamentava a bela moça.

E quando mais os dias passavam, mais ia perdendo as esperanças e mais o seu estômago ficava gelado, mais a ansiedade aumentava e mais ainda ficava nervosa. O que poderia fazer?

Procurou o carinho de sua mãe. A mesma mãe com quem havia rompido relações em nome de seu ex-futuro-marido. Há meses não se falavam e ela já estava com saudade.

Quando chegou, eis a situação. Sua mãe morrera há uma semana.

Ela chorou e odiou toda a sua família por não ter comunicado a morte da pessoa que ela mais amava naquele momento. Foi para uma praça distante. Era um local maltratado, feio e sujo. Ela gostava de ir para lá de vez em quando, pois julgava que aquela praça acabada e esquecida se parecia muito com ela.

Lá ela marcou um encontro com a sua melhor e única amiga. Chegou adiantada na expectativa de ter alguém para desabafar, para chorar nos ombros e descarregar as mágoas, mas a amiga não apareceu.

Ligou para o telefone dela, mas não houve retorno. Ligou para outras pessoas, mas elas não informaram nada. No final, conseguiu com o pai da amiga a triste informação:

Sua melhor amiga fugiu com o seu noivo.

Desesperada, ela já não tinha mais para onde ir, já não tinha mais amigos, já não tinha mais noivo e nem família. Começou a freqüentar assiduamente aquela praça feia e suja e desenvolveu um afeto por um cachorro que ali morava. Brincavam, comiam e se divertiam ali.

Um belo dia, o cachorro foi atravessar a rua e morreu. Mais uma dor para o coração daquela pobre garota que sofria de afetos não correspondidos.

Cansou-se e resolveu voltar para casa e se desculpar com a família. Ao chegar, viu que já não morava mais ninguém lá, estava tudo vazio. Pelo visto eles se mudaram e nem me avisaram, pensou.

Porque deveria sofrer tanto? Perguntava-se. Porque sempre que encontrava alguém para amar, ela tinha de sofrer por isso?

De tanto chorar e pensar sentada no banco velho daquela praça, sem ter mais quem amar, ela percebeu que seu afeto não morreu: adquiriu um grande apego por aquela praça feia e suja. Gostava das árvores, da calçada rachada, dos mendigos e cachorros sujos que ali passavam.

Percebeu que não importa o quanto sofra com a perda de algo ou de alguém. Sempre haverá alguma coisa nova para se amar. Ao notar isso, riu de si mesma e percebeu o quanto pode aprender com os momentos de dor.

Foi para casa, na intenção de voltar no dia seguinte. Só o que não percebeu foi que, quando ia embora, dois arquitetos estavam ali planejando a demolição da praça para a construção de um novo e próspero condomínio residencial.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Três por Quatro

Ela estava sozinha naquela mesa de bar. Aquele elegante e fino bar na zona nobre da metrópole. Ela olhava a rua pelo vidro e observava os carros a cruzarem loucamente aquela avenida que não dormia nunca, olhava os postes, as luzes, o céu nublado. Era noite e ela simplesmente amava as noites nubladas, “espetáculo maior não há”, dizia consigo mesmo.

Aquele céu noturno lhe trazia lembranças, lembranças essas que ela não fazia a mínima questão de resgatar, por isso evitava olhar para cima, apesar de às vezes não conseguir resistir.

Eis que ele transcende porta adentro – tinha que ser justamente ele? – e se senta na cadeira do outro lado da mesa ao qual ela estava sentada. Constrói em sua face um semblante de confiança e tranqüilidade, evidenciados por um meio sorriso, aquele meio sorriso que ela tanto amava e tanto odiava; debruçou os ombros sobre a mesa, fitando-a

- Como me achou aqui? Estava a me seguir?

Ele fez um sinal com o dedo indicador diante da boca, pedindo para ela se calar, sem deixar, em momento algum, de olhar bem no fundo de seus olhos.

Um jogo de silêncio se fez. Uma música começou a tocar – tinha de ser justamente essa música?

Era aquela dos Engenheiros do Hawaii que eles tanto gostavam. Mas não mais na versão ao vivo que eles estavam acostumados a ouvir: rápida e animada. Era uma versão de estúdio, mais lenta, com um tom bem melancólico inspirado pelo suave som da gaita.

♪ “Diga a verdade ao menos uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros” ♪

Foram quase trinta segundos de olhares entrecruzados, enquanto a música seguia. Algo semelhante a uma disputa, para ver quem desviava o olhar primeiro.

♪”E eu perdi as chaves, mas que cabeça a minha! Agora vai ter que ser para toda a vida” ♪

Ela perdeu o jogo bem nesse instante. Desviou o olhar, por um segundo: fraquejou! Ele parecia estar determinado, e realmente estava. Ela fraquejou novamente, pois no segundo seguinte voltou a fitá-lo. A música continuava.

♪ “Somos o que há de melhor, somos o que dá pra fazer” ♪

Ela mudou a expressão do rosto para um ar mais sério. Cansou de ficar na defensiva, resolveu partir para o ataque. Queria feri-lo. Mas aquela face de irônico que só ele sabia fazer tão bem mantinha-se intacta. Era incrível, o que aquele filha da mãe poderia conseguir com aquela expressão no rosto.

♪ “Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho” ♪

Ela já não agüentava mais, estava cedendo. Chegou a hora, pessoal! E, naquele jogo de tentar resistir ou não, com aquela música infernal que nunca acabava, eis que finalmente o Márcio chega e toca a sua mão.

- Olá, amor. O que esse rapaz faz na mesa que reservei para o nosso encontro?

- Ah, esse é o Jorge, um amigo. Veio me cumprimentar e já estava indo embora.

Desde enquanto ela se encontrava com outros caras no bar que nós costumávamos ir?

Ele se despediu e se foi, enquanto a gaita em seu tom triste – e que agora lhe servia como o maior e melhor instrumento de tortura – encerrava a música e todo o restante que tocava junto com ela naquele maldito bar em início de noite.

quarta-feira, julho 21, 2010

Dois Velhos e um Sarcasmo

O pôr do sol estava radiantemente belo.

Essa era a opinião de dois senhores idosos que conversavam. Entretanto, a paisagem – bela e rara – não era o tema da oportuna conversa em questão.

- Compadre, tu acreditas que estamos atrapalhando o nosso mundo?

- De onde você tirou tal tolice, meu caro compadre?

- Foi do veraz noticiário noturno rotineiro, da nossa querida macro-rede de televisão, que assisto diariamente excetuando-se aos domingos
.
- E o que esse brilhante fabricante de notícias fez para convencer você de que nós estamos atrapalhando o mundo? Afinal, quem são esse “nós”?

- Ora, o “nós” em questão somos justamente nós, os idosos! Ora duplo! O jornal da nossa nação não afirmou com todas as letras que somos o encosto social, mas eu que sou esperto – porque sou velho – compreendi subliminarmente a mensagem que o centro de informações remeteu a nós, os avelhantados aposentados da nação que batem papos infindáveis e perdem tempo vislumbrando o pôr do sol em bancos de praça.

- Certo, mas desembuche logo homem de Deus! Diga qual foi a mensagem e de onde ela veio.

- Pois então, quando o repórter fazia uma brilhantíssima reportagem sobre o rombo da Previdência Social, o mesmo não pôde deixar de inferir os problemas que os gastos com salários pagos pelo estado aos aposentados prejudicam o nosso promissor país, afinal, dinheiro que poderia ser destinado a outros setores da economia são desviados de seus cursos naturais para cobrirem o nosso sustento e, como o número de idosos aumenta a cada dia que passa, o rombo está cada vez maior. Vale lembrar que o dinheiro em questão surge dos impostos que os trabalhadores teriam mais dinheiro para gastar e movimentar o comércio, fortalecendo a nossa promissora economia.

- Concordar eu não concordo, contudo, quem sou eu para discordar de um jornal tão íntegro!?

- O fato é que, enquanto respiramos, outros trabalhadores sua ofegantes para alimentar nossa vadiagem!

- Não podemos permitir isso! Existem várias possibilidades, não vê compadre?

- Sinceramente eu não enxergo solução alguma.

- Duas: ou “nós”, os aposentados da nação, devolvemos todo o dinheiro que devemos aos humildes proletários e burgueses do nosso país, ou suicidamos coletivamente e poupamos futuros esforços por parte da juventude do presente.

- Veja! Isto é um recorde da época global, compadre!

quinta-feira, julho 15, 2010

Aqueles que Procuram Algo na Cidade

E de esquina e esquina aquele senhor andava, buscava no próximo beco, mas lá não havia o que procurava. Colocava-se a perguntar, de forma tortuosa e delirante, quando iria encontrar...

A rua que seguia era longa, não se via um final para ela. Por um momento, ele confundia aquela longa rua com a metáfora da vida, mas ele sabia que aquela lógica era absurdamente imprópria, pois se a metáfora é verdadeira, a esquina do fim da vida é logo ali.

“A esquina do fim da vida é logo ali”. Essa frase não conseguia sair da sua cabeça e, por mais que ele tentasse esquecê-la, ela se repetia incansavelmente...

– A esquina da vida é logo ali.

Pensou em sair da cidade, mas reparou que a cidade era grande demais para ele; mesmo que andasse dia e noite sem descanso, jamais chegaria aos limites urbanos que o cercava.

Continuou andando e procurando quando passou por um grupo de jovens que riam e se divertiam. Entre gritos, cantos, risadas e festejos, um deles dizia que “a noite é uma criança, baby!”.

– A noite não é uma criança, ela é uma senhora mórbida que resplandece solidão. Murmurava o senhor enquanto os jovens seguiam rua afora.

E, durante aquela noite escura e vazia, ausente de vida, de pessoas e de iluminação, aquele senhor continuou procurando, com uma agonia incontrolável que o dava a certeza de que a morte seria um alívio, porém, esse alivio seria tentador demais para ser consumado naquele momento.

A tortura é mais grandiosa que a morte, pensou.

domingo, abril 11, 2010

Conversa no Ponto de Ônibus

- Olá, nobre amigo. Está a esperar pelo ônibus?

- Claro, companheiro! Quero seguir o caminho que sempre planejei quando tivesse a oportunidade de chegar aqui no ponto de ônibus.

- E que caminho é esse?

- É o caminho das flores. O caminho de quem sonha; o mais belo de todos os caminhos.

- Que interessante. Espero que o ônibus não demore.

- E não vai, olhe ele bem ali apontando no início da rua!

- Que bom. Mas veja: esse não é o ônibus que vai para caminho das flores.

- Hum! É verdade, esse é o que vai para o caminho das águas. Esperarei pelo ônibus certo então.

- Pois eu vou nesse mesmo.

- Mas, amigo, como pode ir para o caminho das águas se não sabe nadar? Irá morrer afogado lá.

- Eu sei. Mas é que eu não quero perder a oportunidade de perder o ônibus e, como sabe, o ato de seguir no ônibus é o que há de mais importante. Não me importo com o caminho.

- Já que é assim, vamos juntos então para o caminho das águas.


E eles seguiram viagem, mas sem perceber que no itinerário do ônibus estava escrito em letras bem pequenas: “via caminho da dor”.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Allan Poe Sorriu

Eu, depois de duas horas seguidas apodrentando nesse maldito lugar, onde as flores murcham mais rápido; nesse elegante ponto que possui o cheiro do horror impregnado na mente de quem nada escuta além da música do caos, que se mantém firme no ar, e das vozes das pessoas que insistem em beber e beber – como são tolas essas pessoas que nada escutam, que não escutam as vozes que me assediam todos os dias, clamando para que eu as acompanhe em direção ao infinito! Depois de duas horas de espera infinda, eis que surge o ilustre escritor do absurdo, do medo e do pânico; o único homem que eu sempre admirei e que sempre persegui. Alan Poe, o bêbado Edgar.

Quando ele entra na taberna, já está a tropeçar pelas pernas. Droga! Será que passa a beber em outro lugar? Será que percebeu as minhas fracassadas tentativas de lhe seguir e assassinar? Preciso elaborar novas estratégias que me permitam valorizar mais a discrição.

Como de se esperar, ele senta e bebe. O doce tinto com sabor do tempo e a ternura do sangue que escorre pelo canto da boca. Os seus fantasmas agora o atormentam, não posso vê-los, mas sei que estão ali do seu lado. Ele ri, sente prazer em ter os fantasmas como companhia.

Quando o dia começa a dar os primeiros sinais do amanhecer, ele se levanta da cadeira a qual esteve fixado o tempo todo. Aquele não é mais o notável escritor que fora proclamado brilhante pela sociedade, o nobre homem que causa tanta inveja e ódio, o terrível redator mefistofélico, o amigo do diabo. Nesse momento, aquele é apenas uma reles imagem da depressão, da vergonha e dor pavor de si mesmo; não passa de uma lata de lixo, nada mais.

Quando cruza porta afora, o clima de pavor da taberna se esvai junto a ele. O ambiente se torna alegre e receptivo. Eu sabia que precisava seguí-lo, mas não poderia deixar de sentir, ao menos por um breve instante, aquele aroma de felicidade, o som das flores que cantam felizes o sentido da vida. Meu estado de embriaguez foi tamanho que acabo me esquecendo e, quando caio em mim, já é tarde demais: Alan Poe sumiu. Fui novamente despistado e da mesma forma de outrora.

E em mais uma madrugada que se encerra, com o sol a surgir no horizonte da cidade, vou seguindo entre lágrimas e lamentações de mais um fracasso. Não me lamento mais pelo fato de poder ter a chance de tentar novamente na madrugada seguinte, uma vez que Alan Poe nunca falha um dia sequer sem cair no magnífico paladar de sangue tinto. Entretanto, ao dobrar a esquina, noto a figura de Poe surgindo abruptamente diante de mim, resplandecente como a luz do sol; minhas pernas bambearam, as sensações de medo e de horror tomaram conta de mim progressivamente a cada segundo de puro horror. Logo me espalho pelo chão e começo a tremer mais e mais. Ele me larga jogado e se vai rindo, mostrando o quanto é superior e o quanto o meu tempo está breve a se findar.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Quando o Tempo Mente

Parar de beber naquela noite foi difícil. Mas o que eu poderia fazer? A bebida acabou. Acabou a cerveja; acabou o vinho; acabou a vodka.

Acabou o mundo.

Dormir não foi difícil. Difícil foi ter um bom sonho no meio de tantos pesadelos, neles eu sempre morria. Cansei-me disso. Resolvi acordar e me levantar.

Ao olhar para o relógio, descobri que havia dormido dez horas consecutivas. Só então é que fui descobri que não estava em casa, estava no meio da cidade. Não era a cidade que eu morava, era outra cidade. Alguma cidade histórica e turística, pensei.

O ano era 1843.

Foi o que vi no calendário da confeitaria. Todas as pessoas com aquelas vestimentas que só me eram conhecidas graças aos filmes de época. Aquele ambiente démodé, rústico. As ruas de paralelepípedos e o bonde passando. Logicamente, encarei aquilo como um sonho. Tentei acordar, foi em vão, pois era tudo realidade.

As pessoas me olhavam com reprovação, afinal de contas, uma camiseta cavada e uma bermuda não eram as vestimentas mais apropriadas para a ocasião. Se soubesse que isso iria acontecer, teria vestido trajes mais apropriados.

Hoje escrevo isso dentro de um sanatório. É isso mesmo, internaram-me. Mas na verdade sou o único que está lúcido, a sociedade que é louca. Como não podem perceber que estamos em 1843? Porque insistem em dizer que estamos em 2010? Não pode ser.

sábado, janeiro 16, 2010

O Doce Aroma das Flores Murchas

Eram cinco e meia da manhã quando a última cerveja foi servida. Não havia mais ninguém naquele elegante bar da Avenida São Francisco, a não ser os dois garçons, a moça bonita do caixa, uma senhora que fazia a limpeza e o vendedor de flores que não parava de insistir que comprássemos aquelas flores murchas e presenteássemos uns aos outros com elas. Mal sabia ele que, para grandes escritores como nós, filhos de Alberto Caeiro, as flores não representavam nada além do que simples flores e que flores murchas eram apenas flores murchas.

Alice, a poetisa das pedras levantou-se e foi ao banheiro. Rita, a contista das belas paisagens a acompanhou. Não voltaram mais.

Enquanto demoravam, fui o primeiro a perceber que elas não voltariam e que a conta de R$102,58 teria de ficar entre o Cícero, o Cidão e eu.

Cidão, o cronista da tragédia não estava bem do estômago e foi correndo vomitar em algum lugar. Foi bom tê-lo conhecido, ele era um bom rapaz. Também não voltou.

Sabia que o sumiço deles não era acidental, e que eles não fugiriam para não pagar a conta, afinal, naquelas torres imensas de egos inclinados, todos tinham dinheiro para pagar, menos eu. Eu era o único que não conseguia ganhar dinheiro com os livros que escrevia.

Então, no minuto seguinte, eu – o escritor da morte e da melancolia – parti em direção ao banheiro. Queria saber por que todos sumiram, na esperança de também sumir e não ter que dividir a conta com o Cícero, o escritor dos finais felizes, o mais rico de todos nós. Então, quando andava naquele corredor escuro eis que vi os corpos dos meus amigos estirados ao chão em meio à imensa poça de sangue. O vendedor de flores os matou e deixou flores murchas em suas bocas. Eu corri, escapei sem que ele me visse, joguei a metade do dinheiro da conta sobre a mesa, virei o último copo de cerveja e me despedi de Cícero.

É hilário saber que o escritor da morte tenha sido o único a escapar para poder narrar a morte dos outros, uma vez que Cícero também foi morto enquanto pagava a conta (dessa vez foi o garçom). O vendedor foi preso, o garçom escapou. O plano é tentar ganhar algum dinheiro com esse conto aqui.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Conversa com Deus

Olá, meu senhor. Eu morri e queria falar com Deus.

Eu sei que morreu, estou aqui para lhe receber. Mas você que falar com Deus? Ora, feche os olhos e reze!

Ah! Eu não quero ter um monólogo, quero um diálogo.

Meu caro amigo, não existe conversa alguma que se compare com o poder da oração.

Sei sei, mas eu quero conversar com ele assim mesmo. Rezar eu rezo toda hora, mas agora eu quero ouvir.

Olha, senhor. Está bem! Vamos lá, siga em frente e se encontrará com ele.

Obrigado. A propósito, quem é o senhor?

Eu sou só mais um anjo que recebe as pessoas que provavelmente irão ao inferno.

Acho que teria sido melhor eu não saber, mas obrigado assim mesmo. Vou falar com ele agora.

___________________


Olá, Deus! Que luz brilhante, não consigo enxergar o Senhor.

...(um longo período de silêncio)

Deus, é o seguinte. Sei que nunca acreditei em você e que meu coração sempre foi um poço de ódio.

...

Que matei muitas pessoas, que nunca segui os seus ensinamentos.

...

Não estou aqui para pedir-lhe perdão, mas sim para dizer-lhe que é completamente errônia essa sua idéia de criar um reino para você ser o rei inquestionável e pronto.

...

Deveríamos viver em igualdade e não subjugados à sua dita santa percepção.

...

Eu quereria muito prosseguir em meus protestos contra a vossa tirania, mas se eu soubesse que o senhor não possui o poder da fala, eu teria rezado mesmo.

...

Vejo que o anjo não brincava quando falava que conversar não teria poder algum.

...

Agora eu sei porque você é um deus que não responde. O Senhor simplesmente não pode responder.

...

Agora que conversei com Deus, posso ser o ateu mais convicto que se ouviu falar. Tchau, foi um prazer, Deus.

_______________________


Deus apenas acenou em tom de despedida, enquanto os anjos se encarregavam de dilacerar a alma daquele blasfemador.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Adoria e o Caminho

Adoria seguia em frente, sem saber o porquê, sem saber se era dor ou se era alívio. Seguia porque tinha que seguir, porque tinha que ter um final belo naquela estrada feia, sem vigor, com árvores secas e nenhum sinal de vida.

Adoria não gostava daquela estrada.

Em certo momento da caminhada, Adoria notou que havia uma bifurcação, sendo que um lado era a continuação do seu caminho de sempre e o outro era uma estrada mais límpida, com uma vista que talvez não fosse a mais bela de todas, mas que agradava aquela moça que parecia não se cansar de tanto andar.

Ela para.

Após várias horas de reflexão, ela ainda não se decide por qual caminho seguir, ela chega a virar o seu corpo em direção ao caminho que lhe parecia mais tentador, mas resolve agir com o que julga ser mais prudente e, por fim, toma a decisão que lhe cabe ser a mais inteligível nesse instante. Tenho que pensar não no agora, tenho que pensar no amanhã, hoje esse caminho que estou seguindo é o mais feio e sofrido, mas quem irá me garantir que os valores desses caminhos inverter-se-ão ao final? Indagava a si mesma. E esse caminho eu já conheço e sei como lhe dar com ele.

Resolveu seguir o caminho de sempre.


Muito tempo se passa depois que Adoria seguia pelo caminho tortuoso, que não melhorava nunca, e não se esquecia do caminho que recusara anteriormente, um lugar tão cheio de vida, tão belo, tão magnífico!

Adoria cai. Cai sem saber a razão, apenas com a certeza de que jamais se levantaria.

Sentindo que iria morrer, ela, agonizante, olha tudo que está ao seu redor; olha com o ar de quem sabe tudo o que não sabia antes, agora nada mais é segredo para ela. Vira-se, olha para trás e percebe que, mesmo depois de muito tempo, nada ou quase nada havia andado e que o caminho que seguia era, na verdade, apenas uma estrada sem fim e sem início, uma estrada sem meio e que certamente não finda no belo jardim florido que ela tanto imaginou.

Agora ela não pode mais escolher caminho algum.

terça-feira, novembro 17, 2009

Quando os relógios mentem

segundo colocado do I Concurso de Contos da UEG-UnUCSEH


Eram três da manha.

O relógio era implacável. O relógio? Bondade minha pensar assim, o relógio era só mais um escravo que não sabia de nada, o relógio era só um motor, um emaranhado de engrenagens que mal sabiam marcar o tempo corretamente, pois às vezes errava e ficava atrasado demais e, outrora, adiantado demais. Qualquer um pode ser pontual se quiser, não importa quem seja; qualquer um consegue chegar e estar na hora certa; mas um relógio jamais conseguirá ser pontual, o relógio sempre erra e sempre engana... Descartes e Newton que me desculpem, mas o relógio não é digno de louvor algum, pois é a maior das mentiras que a humanidade já inventou! Depois do
glamour da música pop, é claro!

Mas se eram três da manhã ou não eram eu não sei bem, mas o relógio jurava que sim e eu acreditei, cai feito um patinho.

Eu era muito ingênuo para evitar essas armadilhas que a vida nos trás, eu era como um boneco de corda que ia para onde e quando me mandassem ir, eu era muito... humano.

Liguei a TV, mas não para assistir ou me distrair, liguei somente para constar que eu estava ali, que havia vida naquela medíocre casa com aqueles medíocres móveis, com aquela porcaria de vitrola que só tocava a porcaria do disco do Led Zeppelin que eu tanto amava. A porcaria maior ali era eu, por isso liguei a TV.

Passava qualquer coisa, não me lembro o que. Não me lembro se era um filme ou se era apenas chiado de um canal que àquela hora estava fora do ar. Ou você acha que eu iria lembrar de tantos detalhes às três horas da manhã? Tá bom! Eu sei que não eram três, mas o relógio me fazia pensar que era, poderia ser três e um da manhã ou duas e cinqüenta e nove ainda, eu realmente não sei. Ainda mais porque se eu soubesse o que iria ocorrer naquela noite, teria afixado melhor tudo na minha mente, mesmo se eu não quisesse.

Muitas e muitas vezes, tentei me atentar a mais detalhes, mas tudo o que me ocorria era que o relógio marcava três da manhã e que a TV estava ligada, mesmo sabendo que o relógio era tão confiável quanto as dicas de amor de um homem solitário...

Acho mais prudente não fazer mais comparações daqui em diante.

Quando a campainha tocou, eu, pela primeira vez, senti uma vontade louca de atender. Naquela vida medíocre de TV ligada e de um vinil do Led Zeppelin em uma vitrola desligada, o que poderia ser mais emocionante do que atender a campainha às três da manhã? Ou será às duas e cinqüenta e nove? Que seja! Maldito tempo, maldito relógio.

Foram doze tiros. Primeiro seis, uma pausa... outros seis.

O homem trajava preto, usava uma máscara de igual cor que lhe cobria toda a face. Apesar de não conseguir visualizar a sua expressão, era nítido o seu desespero, em sua tragicômica transfiguração de medo para revolta. Ele hesitou vários, vários e incontáveis segundos para depois atirar.

Foi então que freneticamente percebi que tudo ali era uma farsa, notei que o relógio havia mentido e vi que a TV não era só uma demonstração que eu estava ali, vi que a TV era eu mesmo pedindo para alguém abrir a porta e me matar daquela madrugada de desespero e solidão.

domingo, outubro 18, 2009

Sentença

A corda amarrada firmemente no mastro. Ele ainda verifica se esta bem presa, se o nó em volta do pescoço está realmente firme. Ele se joga e morre.

Suicídio. Olhem lá, suicídio gente!

O local era claro, semelhante a algum lugar da terra que ele reconhecia mas que não se lembrava qual era. Na sua frente, tinha um homem nu com asas, melhor dizendo, havia ali um anjo. Atrás de si, havia um outro homem com chifre e rabo, melhor dizendo, havia, atrás de si, um demônio.

Não compartilho com o suicido, ousadia igual nunca mais haverá. Foi o que afirmou, com voz de trovão, o anjo.

Não aprovo o suicídio, covardia maior não há e nem haverá. Afirma logo depois o demônio com voz de chuva. O rapaz tentou argumentar, tentou explicar, contudo sua voz não saia.

Estava mudo.

Então, ele se ajoelhou diante do anjo como maior demonstração de seu pedido de clemência. Queria explicar o que levara a desejar o fim da própria vida, mas não precisava, o anjo afirmou: eu já sei de tudo!

Nesse mesmo instante, milhares de mastros com cordas exatamente iguais às que serviram de instrumento para a morte do rapaz surgiram ao redor, o anjo desapareceu e o homem já se via pendurado em uma das cordas. Seu pescoço doía, era terrível.

E durante toda a eternidade o homem continuou a morrer dia após dia.

domingo, outubro 04, 2009

A Orquestra das Gotas

Uma gota. Duas ou três gotas. Oito gotas. Muitas gotas sucessivas. A chuva, uma orquestra de gotas ao chão, colocava-se a principiar.

Aquela bela chuva corria bela, sublime, embriagante. Nem tão forte e nem tão fraca. Sentia-se uma leve brisa capaz de trazer um breve frio que percorria por toda a espinha dorsal a ponto de trazer arrepios a todo o corpo. Aquela chuva firme, que faz escorrer uma leve enxurrada pela calçada de cimento da porta da casa, escorria pelo telhado e caia no chão como se fosse uma cascata. Tudo isso ocorria de forma sincrônica, como se a natureza tivesse ensaiado exaustivamente pra que desse tudo certo, para que a platéia pudesse aplaudir com louvor ao final daquela épica apresentação.

A platéia era uma garotinha de 12 anos e meio.

Suzy, uma menina de cabelos castanhos, um pouco lisos e longos observava sem piscar à apresentação da natureza que resplandecente se mostrava naquele dia. Aquele instante em que tudo era mágica e que tudo poderia lhe satisfazer então. Olhou para ambos os lados e, na ausência de outrem, sentiu falta de alguém para proferir a notícia de que ela conhecia mais da vida do que um velho ranzinza que se diz maduro demais.

Foi o seu último suspiro. O suspiro de quem não precisava mais viver, pois já o tinha aprendido.

Nota para ser lembrada: meus personagens precisam parar de morrer...

quinta-feira, setembro 24, 2009

A Subjetividade no Jogo de Amar

Aquele casal passara horas se entreolhando, um querendo ganhar do outro naquela briga, um jogo cujo sentido era o de provar qual dos dois era o mais forte. Grande tolice, ambos eram fracos.

Um era do outro, mas ambos não se possuíam. Ela devotava todo o amor do mundo a ele, mas não o vivia, procurava outros horizontes por pura mania de sensatez, ou por medo, ou por dó... vai saber! Ele era recíproco em seus sentimentos, ela era pra ele tudo o que ele tinha; nada fazia mais sentido a não ser tê-la consigo, mas algo o atrapalhava a conquistá-la, talvez a falta de atenção aos detalhes, o excesso de “regras” não cumpridas, ou uma barreira invisível que os separavam... também não sei bem dizer o que realmente era.

Então, depois de horas parados um à frente do outro, ela não se agüentou mais, se levantou e ao mesmo tempo em que dava uma bofetada no rosto dele, dizia:

– Chega de subjetividade! Toma isso pra ver se enxerga alguma coisa na frente do seu nariz.

Ele se levantou e se foi com a certeza de que nada mais poderia fazer a não ser ter que continuar a viver, viver sem aquela loucura que ele insiste tanto em chamar de amor.

quarta-feira, setembro 16, 2009

O Velho Melancólico

E caminhando ele sofria. E sofrendo suas pernas doíam, latejavam.

Aquele pobre ancião já não se agüentava mais de tanto andar, tanto andar e nunca chegar, nunca chegar e sempre ter que seguir.

É com tristeza e dor que ele se lembra das pedras que tropeçara e não se perdoa por não ter enxergado-as, enquanto o patamar mortal do seu ódio por si próprio o consumia.

Agora já não é capaz de enxergar pedra alguma, tropeça em todas, cai em todas e a dor aumenta a cada instante, a cada segundo.

Morrer seria presente, só por isso insiste em viver.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Dialética Aplicada

- Olá, grande sábio, podemos debater sobre algo?

- Claro, porque não?

- É que no meu ponto de vista o nada não existe e jamais existirá.

- Eu concordo.

- Que bom. Tchau.

- Tchau.

terça-feira, setembro 01, 2009

O Vôo do poeta

Sentado na sua própria solidão remoída, o poeta chora as suas aberrações secretas e pessoais. Não consegue libertar-se, apesar dos esforços: por dentro, ele se rebate, remoe-se, contorce-se, ao passo que, externamente, o fruto da batalha que se trava no seu interior é uma invejável imobilidade.

Seus pés encontram-se gélidos, verdadeiras pedras de mármore resfriados. Suas mãos estão entrelaçadas por entre os dedos formando um leque inexorável e impermeável. Seu corpo é apenas em mero tronco, uma simples base motora de sustentação da sua mente, pois esta é a única que se mantém viva por inteira. Sua face desfalece-se enfadonhamente, com sua expressão medonha, penosa, enfraquecida. Ali não há um ser, está um viver.

Em meio aos seus pensamentos vegetais, eis que são só duvidas: “o que fazer?”, “o que tentar?”, “o que ser?”. Não há resposta.

Frases simples, semeadoras de versos, brotam abrupta e periodicamente, decassílabos sonetistas são sugeridos em meio àquele mar de indolências flamejantes: “Noto minha vida quando penso, faço, acho, sinto, vejo e morro”. A notoriedade do seu ser o transforma em um mártir que não salva nem a si próprio.

Surge uma alternativa enfim. O poeta enxerga que na sua mente, no ponto clímax da batalha entre o seu ego, há um céu azul que o cerca. Ele, então, não poupa as suas forças e, no limite de suas resistências, consegue adquirir asas imensas e voa, voa e voa.

Para onde vai? Não se sabe. Nada mais se sabe sobre poeta que conseguiu voar.


Nota: texto redigido no ano de 2006.

sábado, agosto 01, 2009

A Caminho do Céu

O semblante encontrava-se ausente de sua face. Sua vida procurou outros caminhos e esqueceu de lhe avisar. Seu mundinho pequeno de meios colegas ia-se lentamente. Sua existência não mais encontrava um porquê algum de continuar a sê-la. Não sabia explicar, mas entendia bem, não conseguia assimilar, apenas aceitar.

O seu corpo escarnava delírios e mistérios em meio às suas auto-confissões. O muro de aço que a cercava se tornara tão espesso, duradouro e forte que não havia aquilo que a fizesse desmoronar. A linha da sua vida finalmente atingira um patamar mínimo e retilíneo. A sua poesia não mais brotava. A sua perspicácia não mais se regulava e, por um momento, ela percebeu que sua loucura não passava de um tênue excesso de lucidez.

Depois de tantos esforços em vão, ela finalmente se encontrava acima de todos, acima de qualquer um, desde os que a apoiaram até os que a apedrejaram. Foi chamada prostituta, foi usurpada do seu próprio trono, espancada, chicoteada, enfim, destruída.

Mas naquele instante - e que instante! - ela se viu acima de todos, ali ela era o centro das atenções, era o motivo do embranquecer dos cabelos, a borboleta que criaria asas. O inicio do fim. O seu ser agradecia a existência daquele doce e breve momento: o mundo debaixo dos seus pés.

Então, eis que, na beira da cobertura do edifício, próxima do céu, à luz do dia, à luz de todos, ela se entrega ao sabor do vento. Para muitos ela caia, mas ela flutuava, e no seu breve e infinito flutuar, o calor do sangue aumentava até se esfriar abruptamente: plugt! Ela encontra a sua paz.


Nota: Texto redigido em 2007

sábado, julho 25, 2009

Eu te amo, ela disse

– Eu te amo, ela disse.

Ele apenas escutou, enquanto ela, entre lágrimas, dizia todas aquelas palavras apaixonadas. Ele procurava nem dizer e nem transparecer nada. Sim, porque não era de seu desejo feri-la, uma vez que todo aquele sentimento que ela dizia sentir não era recíproco.

– E quando eu lhe vi pela primeira vez, mal caibo em mim ao lembrar, quando olhei ineditamente para os seus olhos, para o seu corpo, enfim, para o teu resplandecente semblante, eu não quis mais nada nessa minha vida, só você! Todos os meus sonhos anteriores se tornaram piada, todos eles se tornaram meras ilusões, porque eu estava enxergando tudo aquilo que me completava, tudo aquilo que me bastava, eu vi você.

O silêncio dele já cortava o coração daquela moça como uma lâmina afiada, pois não era um silêncio positivo, por mais que aquele rapaz tentasse fazer com que aquele silêncio o ajudasse a não magoá-la. Ele se viu em uma perfeita armadilha, pois, desde que conhecera aquela moça, sempre percebeu os sentimentos dela e procurou sempre se desviar, sempre a buscar uma terceira via, uma forma de não deixar as coisas acontecerem como estavam acontecendo naquele momento. Agora ele se vê contra a parede, tendo que falar tudo o que ele não sentia por ela e cravar uma faca em toda a sua consciência.

Ele olhou ao redor, esperou mais alguns segundos agudos e infindáveis de silêncio, pensou e pensou como nunca pensara antes e, sem saída, disse:

– Eu também te amo muito, você é pra mim a mais perfeita força que emana do meu flagelado coração.

E, sem saber o que realmente disse, sem ter a menor idéia do peso de suas palavras, ele a acompanhou para o início do resto de seus dias.

Rodolfo Alves

blog criado em 23 de Julho de 2009

Labels