O pôr do sol estava radiantemente belo.
Essa era a opinião de dois senhores idosos que conversavam. Entretanto, a paisagem – bela e rara – não era o tema da oportuna conversa em questão.
- Compadre, tu acreditas que estamos atrapalhando o nosso mundo?
- De onde você tirou tal tolice, meu caro compadre?
- Foi do veraz noticiário noturno rotineiro, da nossa querida macro-rede de televisão, que assisto diariamente excetuando-se aos domingos
.
- E o que esse brilhante fabricante de notícias fez para convencer você de que nós estamos atrapalhando o mundo? Afinal, quem são esse “nós”?
- Ora, o “nós” em questão somos justamente nós, os idosos! Ora duplo! O jornal da nossa nação não afirmou com todas as letras que somos o encosto social, mas eu que sou esperto – porque sou velho – compreendi subliminarmente a mensagem que o centro de informações remeteu a nós, os avelhantados aposentados da nação que batem papos infindáveis e perdem tempo vislumbrando o pôr do sol em bancos de praça.
- Certo, mas desembuche logo homem de Deus! Diga qual foi a mensagem e de onde ela veio.
- Pois então, quando o repórter fazia uma brilhantíssima reportagem sobre o rombo da Previdência Social, o mesmo não pôde deixar de inferir os problemas que os gastos com salários pagos pelo estado aos aposentados prejudicam o nosso promissor país, afinal, dinheiro que poderia ser destinado a outros setores da economia são desviados de seus cursos naturais para cobrirem o nosso sustento e, como o número de idosos aumenta a cada dia que passa, o rombo está cada vez maior. Vale lembrar que o dinheiro em questão surge dos impostos que os trabalhadores teriam mais dinheiro para gastar e movimentar o comércio, fortalecendo a nossa promissora economia.
- Concordar eu não concordo, contudo, quem sou eu para discordar de um jornal tão íntegro!?
- O fato é que, enquanto respiramos, outros trabalhadores sua ofegantes para alimentar nossa vadiagem!
- Não podemos permitir isso! Existem várias possibilidades, não vê compadre?
- Sinceramente eu não enxergo solução alguma.
- Duas: ou “nós”, os aposentados da nação, devolvemos todo o dinheiro que devemos aos humildes proletários e burgueses do nosso país, ou suicidamos coletivamente e poupamos futuros esforços por parte da juventude do presente.
- Veja! Isto é um recorde da época global, compadre!
Essa era a opinião de dois senhores idosos que conversavam. Entretanto, a paisagem – bela e rara – não era o tema da oportuna conversa em questão.
- Compadre, tu acreditas que estamos atrapalhando o nosso mundo?
- De onde você tirou tal tolice, meu caro compadre?
- Foi do veraz noticiário noturno rotineiro, da nossa querida macro-rede de televisão, que assisto diariamente excetuando-se aos domingos
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- E o que esse brilhante fabricante de notícias fez para convencer você de que nós estamos atrapalhando o mundo? Afinal, quem são esse “nós”?
- Ora, o “nós” em questão somos justamente nós, os idosos! Ora duplo! O jornal da nossa nação não afirmou com todas as letras que somos o encosto social, mas eu que sou esperto – porque sou velho – compreendi subliminarmente a mensagem que o centro de informações remeteu a nós, os avelhantados aposentados da nação que batem papos infindáveis e perdem tempo vislumbrando o pôr do sol em bancos de praça.
- Certo, mas desembuche logo homem de Deus! Diga qual foi a mensagem e de onde ela veio.
- Pois então, quando o repórter fazia uma brilhantíssima reportagem sobre o rombo da Previdência Social, o mesmo não pôde deixar de inferir os problemas que os gastos com salários pagos pelo estado aos aposentados prejudicam o nosso promissor país, afinal, dinheiro que poderia ser destinado a outros setores da economia são desviados de seus cursos naturais para cobrirem o nosso sustento e, como o número de idosos aumenta a cada dia que passa, o rombo está cada vez maior. Vale lembrar que o dinheiro em questão surge dos impostos que os trabalhadores teriam mais dinheiro para gastar e movimentar o comércio, fortalecendo a nossa promissora economia.
- Concordar eu não concordo, contudo, quem sou eu para discordar de um jornal tão íntegro!?
- O fato é que, enquanto respiramos, outros trabalhadores sua ofegantes para alimentar nossa vadiagem!
- Não podemos permitir isso! Existem várias possibilidades, não vê compadre?
- Sinceramente eu não enxergo solução alguma.
- Duas: ou “nós”, os aposentados da nação, devolvemos todo o dinheiro que devemos aos humildes proletários e burgueses do nosso país, ou suicidamos coletivamente e poupamos futuros esforços por parte da juventude do presente.
- Veja! Isto é um recorde da época global, compadre!
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