E de esquina e esquina aquele senhor andava, buscava no próximo beco, mas lá não havia o que procurava. Colocava-se a perguntar, de forma tortuosa e delirante, quando iria encontrar...A rua que seguia era longa, não se via um final para ela. Por um momento, ele confundia aquela longa rua com a metáfora da vida, mas ele sabia que aquela lógica era absurdamente imprópria, pois se a metáfora é verdadeira, a esquina do fim da vida é logo ali.
“A esquina do fim da vida é logo ali”. Essa frase não conseguia sair da sua cabeça e, por mais que ele tentasse esquecê-la, ela se repetia incansavelmente...
– A esquina da vida é logo ali.
Pensou em sair da cidade, mas reparou que a cidade era grande demais para ele; mesmo que andasse dia e noite sem descanso, jamais chegaria aos limites urbanos que o cercava.
Continuou andando e procurando quando passou por um grupo de jovens que riam e se divertiam. Entre gritos, cantos, risadas e festejos, um deles dizia que “a noite é uma criança, baby!”.
– A noite não é uma criança, ela é uma senhora mórbida que resplandece solidão. Murmurava o senhor enquanto os jovens seguiam rua afora.
E, durante aquela noite
escura e vazia, ausente de vida, de pessoas e de iluminação, aquele senhor continuou procurando, com uma agonia incontrolável que o dava a certeza de que a morte seria um alívio, porém, esse alivio seria tentador demais para ser consumado naquele momento.A tortura é mais grandiosa que a morte, pensou.
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...