Sentado na sua própria solidão remoída, o poeta chora as suas aberrações secretas e pessoais. Não consegue libertar-se, apesar dos esforços: por dentro, ele se rebate, remoe-se, contorce-se, ao passo que, externamente, o fruto da batalha que se trava no seu interior é uma invejável imobilidade.
Seus pés encontram-se gélidos, verdadeiras pedras de mármore resfriados. Suas mãos estão entrelaçadas por entre os dedos formando um leque inexorável e impermeável. Seu corpo é apenas em mero tronco, uma simples base motora de sustentação da sua mente, pois esta é a única que se mantém viva por inteira. Sua face desfalece-se enfadonhamente, com sua expressão medonha, penosa, enfraquecida. Ali não há um ser, está um viver.
Em meio aos seus pensamentos vegetais, eis que são só duvidas: “o que fazer?”, “o que tentar?”, “o que ser?”. Não há resposta.
Frases simples, semeadoras de versos, brotam abrupta e periodicamente, decassílabos sonetistas são sugeridos em meio àquele mar de indolências flamejantes: “Noto minha vida quando penso, faço, acho, sinto, vejo e morro”. A notoriedade do seu ser o transforma em um mártir que não salva nem a si próprio.
Surge uma alternativa enfim. O poeta enxerga que na sua mente, no ponto clímax da batalha entre o seu ego, há um céu azul que o cerca. Ele, então, não poupa as suas forças e, no limite de suas resistências, consegue adquirir asas imensas e voa, voa e voa.
Para onde vai? Não se sabe. Nada mais se sabe sobre poeta que conseguiu voar.
Nota: texto redigido no ano de 2006.
Seus pés encontram-se gélidos, verdadeiras pedras de mármore resfriados. Suas mãos estão entrelaçadas por entre os dedos formando um leque inexorável e impermeável. Seu corpo é apenas em mero tronco, uma simples base motora de sustentação da sua mente, pois esta é a única que se mantém viva por inteira. Sua face desfalece-se enfadonhamente, com sua expressão medonha, penosa, enfraquecida. Ali não há um ser, está um viver.
Em meio aos seus pensamentos vegetais, eis que são só duvidas: “o que fazer?”, “o que tentar?”, “o que ser?”. Não há resposta.
Frases simples, semeadoras de versos, brotam abrupta e periodicamente, decassílabos sonetistas são sugeridos em meio àquele mar de indolências flamejantes: “Noto minha vida quando penso, faço, acho, sinto, vejo e morro”. A notoriedade do seu ser o transforma em um mártir que não salva nem a si próprio.
Surge uma alternativa enfim. O poeta enxerga que na sua mente, no ponto clímax da batalha entre o seu ego, há um céu azul que o cerca. Ele, então, não poupa as suas forças e, no limite de suas resistências, consegue adquirir asas imensas e voa, voa e voa.
Para onde vai? Não se sabe. Nada mais se sabe sobre poeta que conseguiu voar.
Nota: texto redigido no ano de 2006.
1 imaginações a respeito:
2006? Vc escreve magicamente desde...sempre? hehe
Adoro esses textos que me fazem sentir os "sintomas" descritos enquanto leio.
BjO
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...