Se penso,
Ou se penso em pensar,
Se arquejo,
Se ajo,
Se me exponho
– Ou ao menos tento me expor –
É porque tenho uma mínima confiança
– confiança que o mundo me anda desacreditando mais e mais.
Se produzo uma fala,
É porque tenho voz para proferi-la.
Mas se eu não tenho nada:
Se eu não tenho voz,
Confiança,
Coragem de me expor,
Ação
Ou pensamentos;
Então eu não posso dizer nada,
Não posso dizer sequer que não tenho nada a dizer,
Serei uma inconstância ambulante,
Cheia de valores fúteis.
Se passo a vida pensando que não tenho maturidade,
Ou considerando que a minha maturidade é baixa
Pelo simples fato de eu não ter a idade de um velho chato e sisudo,
Que fica espalhando cinzas e fumaças pela casa
Advindas de um cachimbo fedorento,
Se, somente por isto, eu pensar que não posso pensar em nada,
Que não tenho – porque sou novo – maturidade sobre certo assunto,
Mesmo tendo-o vivido intensamente
E ter propriedade para discuti-lo em seus valores milenares,
Se eu penso assim,
Então não terei voz,
Confiança,
Coragem de me expor,
Ação
Ou pensamentos;
E serei mais um brinquedo de ventríloquo,
E, mesmo tendo plena consciência do absurdo moral “válido”
De certos valores sociais intocáveis,
Mesmo tendo consciência de que esses valores levarão ao erro
E ao sofrimento,
Praticá-los-ei mais e mais
E continuarei a errar
E a sofrer,
Afinal,
Bonecos de ventríloquos não podem possuir sentimentos!
Ou se penso em pensar,
Se arquejo,
Se ajo,
Se me exponho
– Ou ao menos tento me expor –
É porque tenho uma mínima confiança
– confiança que o mundo me anda desacreditando mais e mais.
Se produzo uma fala,
É porque tenho voz para proferi-la.
Mas se eu não tenho nada:
Se eu não tenho voz,
Confiança,
Coragem de me expor,
Ação
Ou pensamentos;
Então eu não posso dizer nada,
Não posso dizer sequer que não tenho nada a dizer,
Serei uma inconstância ambulante,
Cheia de valores fúteis.
Se passo a vida pensando que não tenho maturidade,
Ou considerando que a minha maturidade é baixa
Pelo simples fato de eu não ter a idade de um velho chato e sisudo,
Que fica espalhando cinzas e fumaças pela casa
Advindas de um cachimbo fedorento,
Se, somente por isto, eu pensar que não posso pensar em nada,
Que não tenho – porque sou novo – maturidade sobre certo assunto,
Mesmo tendo-o vivido intensamente
E ter propriedade para discuti-lo em seus valores milenares,
Se eu penso assim,
Então não terei voz,
Confiança,
Coragem de me expor,
Ação
Ou pensamentos;
E serei mais um brinquedo de ventríloquo,
E, mesmo tendo plena consciência do absurdo moral “válido”
De certos valores sociais intocáveis,
Mesmo tendo consciência de que esses valores levarão ao erro
E ao sofrimento,
Praticá-los-ei mais e mais
E continuarei a errar
E a sofrer,
Afinal,
Bonecos de ventríloquos não podem possuir sentimentos!
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...