Eu, depois de duas horas seguidas apodrentando nesse maldito lugar, onde as flores murcham mais rápido; nesse elegante ponto que possui o cheiro do horror impregnado na mente de quem nada escuta além da música do caos, que se mantém firme no ar, e das vozes das pessoas que insistem em beber e beber – como são tolas essas pessoas que nada escutam, que não escutam as vozes que me assediam todos os dias, clamando para que eu as acompanhe em direção ao infinito! Depois de duas horas de espera infinda, eis que surge o ilustre escritor do absurdo, do medo e do pânico; o único homem que eu sempre admirei e que sempre persegui. Alan Poe, o bêbado Edgar.
Quando ele entra na taberna, já está a tropeçar pelas pernas. Droga! Será que passa a beber em outro lugar? Será que percebeu as minhas fracassadas tentativas de lhe seguir e assassinar? Preciso elaborar novas estratégias que me permitam valorizar mais a discrição.
Como de se esperar, ele senta e bebe. O doce tinto com sabor do tempo e a ternura do sangue que escorre pelo canto da boca. Os seus fantasmas agora o atormentam, não posso vê-los, mas sei que estão ali do seu lado. Ele ri, sente prazer em ter os fantasmas como companhia.
Quando o dia começa a dar os primeiros sinais do amanhecer, ele se levanta da cadeira a qual esteve fixado o tempo todo. Aquele não é mais o notável escritor que fora proclamado brilhante pela sociedade, o nobre homem que causa tanta inveja e ódio, o terrível redator mefistofélico, o amigo do diabo. Nesse momento, aquele é apenas uma reles imagem da depressão, da vergonha e dor pavor de si mesmo; não passa de uma lata de lixo, nada mais.
Quando cruza porta afora, o clima de pavor da taberna se esvai junto a ele. O ambiente se torna alegre e receptivo. Eu sabia que precisava seguí-lo, mas não poderia deixar de sentir, ao menos por um breve instante, aquele aroma de felicidade, o som das flores que cantam felizes o sentido da vida. Meu estado de embriaguez foi tamanho que acabo me esquecendo e, quando caio em mim, já é tarde demais: Alan Poe sumiu. Fui novamente despistado e da mesma forma de outrora.
E em mais uma madrugada que se encerra, com o sol a surgir no horizonte da cidade, vou seguindo entre lágrimas e lamentações de mais um fracasso. Não me lamento mais pelo fato de poder ter a chance de tentar novamente na madrugada seguinte, uma vez que Alan Poe nunca falha um dia sequer sem cair no magnífico paladar de sangue tinto. Entretanto, ao dobrar a esquina, noto a figura de Poe surgindo abruptamente diante de mim, resplandecente como a luz do sol; minhas pernas bambearam, as sensações de medo e de horror tomaram conta de mim progressivamente a cada segundo de puro horror. Logo me espalho pelo chão e começo a tremer mais e mais. Ele me larga jogado e se vai rindo, mostrando o quanto é superior e o quanto o meu tempo está breve a se findar.
Quando ele entra na taberna, já está a tropeçar pelas pernas. Droga! Será que passa a beber em outro lugar? Será que percebeu as minhas fracassadas tentativas de lhe seguir e assassinar? Preciso elaborar novas estratégias que me permitam valorizar mais a discrição.
Como de se esperar, ele senta e bebe. O doce tinto com sabor do tempo e a ternura do sangue que escorre pelo canto da boca. Os seus fantasmas agora o atormentam, não posso vê-los, mas sei que estão ali do seu lado. Ele ri, sente prazer em ter os fantasmas como companhia.
Quando o dia começa a dar os primeiros sinais do amanhecer, ele se levanta da cadeira a qual esteve fixado o tempo todo. Aquele não é mais o notável escritor que fora proclamado brilhante pela sociedade, o nobre homem que causa tanta inveja e ódio, o terrível redator mefistofélico, o amigo do diabo. Nesse momento, aquele é apenas uma reles imagem da depressão, da vergonha e dor pavor de si mesmo; não passa de uma lata de lixo, nada mais.
Quando cruza porta afora, o clima de pavor da taberna se esvai junto a ele. O ambiente se torna alegre e receptivo. Eu sabia que precisava seguí-lo, mas não poderia deixar de sentir, ao menos por um breve instante, aquele aroma de felicidade, o som das flores que cantam felizes o sentido da vida. Meu estado de embriaguez foi tamanho que acabo me esquecendo e, quando caio em mim, já é tarde demais: Alan Poe sumiu. Fui novamente despistado e da mesma forma de outrora.
E em mais uma madrugada que se encerra, com o sol a surgir no horizonte da cidade, vou seguindo entre lágrimas e lamentações de mais um fracasso. Não me lamento mais pelo fato de poder ter a chance de tentar novamente na madrugada seguinte, uma vez que Alan Poe nunca falha um dia sequer sem cair no magnífico paladar de sangue tinto. Entretanto, ao dobrar a esquina, noto a figura de Poe surgindo abruptamente diante de mim, resplandecente como a luz do sol; minhas pernas bambearam, as sensações de medo e de horror tomaram conta de mim progressivamente a cada segundo de puro horror. Logo me espalho pelo chão e começo a tremer mais e mais. Ele me larga jogado e se vai rindo, mostrando o quanto é superior e o quanto o meu tempo está breve a se findar.
1 imaginações a respeito:
caramba!
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...