O Artista
E quando a arte me afaga
Vejo o céu no meu andar
Sigo o tempo a caminhar
Aquela força que embriaga.
Quando vejo o meu terror
Finjo não querer olhar
Sigo sempre a caminhar
Para o bem do meu labor.
O Trabalhador
Sou o meu próprio esforço
Sou a linha da minha labuta
Sou a sorte do que recebo
Sou esforço, pura luta.
Queria ter aquilo que faço
Mas pago pelo meu fazer
Sigo louco passo a passo
E mais e mais tenho a perder.
O Vagabundo
Não vivo por viver
Às vezes não consigo lutar
Sigo pobre a caminhar
Tendo sempre menos a perder
Os infortúnios me abrigam pelo chão
Sigo firme a tolher os tolos
E pela decadência em questão
Sofro bobo como poucos.
O Viajante
Desbravo terra e mar
Sigo vivendo como vagante
Não percebo o tempo a cursar
A sensação vaga de um ambulante.
Vejo o mundo e vejo a vida
Enxergo o longe e o perto
Mas não vejo o meu interno
E sinto firme a minha sina.
O Solitário
Colho da vida a dor do vazio
Sofro e perco sem amante
A frieza me faz sentir frio
Nesse sofrer duro, agonizante.
O Poeta
Falo coisas que sinto e que finjo
Falo do Artista ao Solitário
Falo calmo e até minto
Falo de mim, do meu calvário.
Falo de dores e do tempo
Falo de cores e do vento
Falo de horrores e rejeição.
Falo de amores e ilusão
SOFIA
Há 2 meses
2 imaginações a respeito:
Amei o post. Você se supera sempre.
Beijos.
Saudades.
Tereza
*.*
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...