sexta-feira, janeiro 22, 2010

Quando o Tempo Mente

Parar de beber naquela noite foi difícil. Mas o que eu poderia fazer? A bebida acabou. Acabou a cerveja; acabou o vinho; acabou a vodka.

Acabou o mundo.

Dormir não foi difícil. Difícil foi ter um bom sonho no meio de tantos pesadelos, neles eu sempre morria. Cansei-me disso. Resolvi acordar e me levantar.

Ao olhar para o relógio, descobri que havia dormido dez horas consecutivas. Só então é que fui descobri que não estava em casa, estava no meio da cidade. Não era a cidade que eu morava, era outra cidade. Alguma cidade histórica e turística, pensei.

O ano era 1843.

Foi o que vi no calendário da confeitaria. Todas as pessoas com aquelas vestimentas que só me eram conhecidas graças aos filmes de época. Aquele ambiente démodé, rústico. As ruas de paralelepípedos e o bonde passando. Logicamente, encarei aquilo como um sonho. Tentei acordar, foi em vão, pois era tudo realidade.

As pessoas me olhavam com reprovação, afinal de contas, uma camiseta cavada e uma bermuda não eram as vestimentas mais apropriadas para a ocasião. Se soubesse que isso iria acontecer, teria vestido trajes mais apropriados.

Hoje escrevo isso dentro de um sanatório. É isso mesmo, internaram-me. Mas na verdade sou o único que está lúcido, a sociedade que é louca. Como não podem perceber que estamos em 1843? Porque insistem em dizer que estamos em 2010? Não pode ser.

2 imaginações a respeito:

Alice Mattos disse...

Isso... Não pode ser!
Mas não engane-se quando lhe disserem que é 2010, meu caro... É tão óbvio que estamos em 1843! Como podem dizer o contrário? o.O

Tereza Maria disse...

A loucura é apenas uma questão relativa.

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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...


blog criado em 23 de Julho de 2009

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