quarta-feira, outubro 14, 2009

Palavras ao Agonizar

A vontade de existir me enegrece
E me noitifica quando o meu dia se acinzenta.

Não deixo os meus sonhos fluírem,
Pois sou pedra e sou fogo.

Vivo a esperança assassinada,
Pois sou água e o sou vento.

Sofro as dores da alegria viva,
Pois sou sangue e sou plasma.

Pereço de dia depois de uma noite de descanso,
Pois sou ventre e sou dor.

Imagino o amanhã caído após um belo amanhecer,
Pois sou louvor e sou morte.

Minhas unhas doem,
As minhas pernas fatigam.
O meu respirar expira
E o meu esplendor se consterna.
A minha fadiga medra-se
E o sofrer floresce.

Sou a espera na porta,
Sou a angústia do eterno amanhã,
Sou o mal das flores mortas,
Sou o fim da labuta louvada,
E o câncer do limite entre o essencial e o simplório.

Tudo bem, a vida merece seguir. Tudo bem, o tempo não pode mais parar. Tudo bem, o ardor do cúmulo das coisas precisa continuar a ser como é.

Se eu partir, me remita.
Perdoe o vácuo pelo meu vazio,
Anistie a agonia pela minha dor,
E perdoe a sofreguidão pelo o meu desgosto.

Posso não ser mar, mas sou gota a transbordar.

3 imaginações a respeito:

Alice Mattos disse...

Ain, que lindo!
Que existam milhões de gotas assim, então...
=]

♫ Liliane ♥ disse...

Que, existam milhões de gotas assim, então...[2]
Cada post seu é melhor q o anterior!
=)

♫ Liliane ♥ disse...

Vc escreve mtoooo!
Lindo texto!

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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...


blog criado em 23 de Julho de 2009

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