segunda-feira, novembro 30, 2009

Carta Informal de Despedida

Errônios Amigos,

Andando pela Lúxúria, ela tropeçou na inocência.

Como era santa aquela menina de corpo bonito e de tamanho exagerado, de cabelo longos e de roupas comportadas. Como era magnífico o explendor do seu andar, da sua forma de se mostrar ao mundo.

Como ela poderia ser tão ingênua, tão "certa"? Como ela poderia ser tão seguidora dos padrões sociais? Como ela, enquanto conhecedora do mal das religiões mais ortodoxas, segue-as tão rigorosamente? Como ela pode ser, ao mesmo tempo, crítica e praticante do velho estereótipo de mulher dona de casa? Como ela pode ser tão hipócrita, perceber que é e não admitir?

E como eu puder me apaixonar por ela? Alguém me diz? Não! Ninguém me diz.

Por isso, meus caros, escrevo-lhes esta que é a minha última carta, a carta de alguém que não possui nem coragem para cometer o suicídio e que por isso irá vagar sem eira e nem beira pelo tudo e pelo nada que o mundo tem para me oferecer. A minha agonia só está vivendo os seus primeiros anos de duração.

Despeço-me de vós hoje mesmo e garanto que ninguém terá noção do rastro da minha existência.

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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...


blog criado em 23 de Julho de 2009

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