texto do meu antigo blog...
Três de maio de 1984.
Finada,
Porque fostes? Não compreendo em instância alguma, em menor ou maior grau, os motivos de sua abrupta partida.
Egoísmo! Egoísmo puro! Não há outra explicação. Pensei, meditei, analisei, refleti e não consegui alcançar elucidação alguma além desta. Apesar de entendê-la, não consigo compreendê-la, mórbida cortesã.
Lembro-me agora – uma semana após o seu falecimento, assim como me lembrarei daqui a dezenas de anos – de sua carne viva comunicando-se em meio a toques, cheiros e gostos do deleite da luxúria. Seus beijos, ah...seus doces beijos! Como eram voluptuosamente fascinantes em seus esplendores momentâneos; faziam-me delirar por segundos, minutos e, se nos fosse possível, por horas. Mas nossos beijos não apresentavam razão alguma para durarem por muito tempo, por mais prazerosos que fossem – ou talvez por esse motivo. A libido era tão impregnante, tão estimulada por eles, que a mesma não se continha em contatos meramente labiais, queríamos mais, sempre mais, sem jamais sermos vencidos pela exaustão.
O fato de sua ausência física não remonta a mim, mas tão somente a ti. Por mais que as causas de sua morte não lhe tenham sido voluntariosas, não acredito que morte alguma seja involuntária. Além de excêntrica, tu foste frágil e isto é peremptoriamente imperdoável. Mas, dia qualquer, conceder-lhe-ei, com muito esforço, a minha clemência. Afinal, ao contrario de ti, sou bom. Irei residir no paraíso, enquanto você reside no inferno. Bela ironia do destino: separar-nos até após a morte.
Thurias Maldin.
Três de maio de 1984.
Finada,
Porque fostes? Não compreendo em instância alguma, em menor ou maior grau, os motivos de sua abrupta partida.
Egoísmo! Egoísmo puro! Não há outra explicação. Pensei, meditei, analisei, refleti e não consegui alcançar elucidação alguma além desta. Apesar de entendê-la, não consigo compreendê-la, mórbida cortesã.
Lembro-me agora – uma semana após o seu falecimento, assim como me lembrarei daqui a dezenas de anos – de sua carne viva comunicando-se em meio a toques, cheiros e gostos do deleite da luxúria. Seus beijos, ah...seus doces beijos! Como eram voluptuosamente fascinantes em seus esplendores momentâneos; faziam-me delirar por segundos, minutos e, se nos fosse possível, por horas. Mas nossos beijos não apresentavam razão alguma para durarem por muito tempo, por mais prazerosos que fossem – ou talvez por esse motivo. A libido era tão impregnante, tão estimulada por eles, que a mesma não se continha em contatos meramente labiais, queríamos mais, sempre mais, sem jamais sermos vencidos pela exaustão.
O fato de sua ausência física não remonta a mim, mas tão somente a ti. Por mais que as causas de sua morte não lhe tenham sido voluntariosas, não acredito que morte alguma seja involuntária. Além de excêntrica, tu foste frágil e isto é peremptoriamente imperdoável. Mas, dia qualquer, conceder-lhe-ei, com muito esforço, a minha clemência. Afinal, ao contrario de ti, sou bom. Irei residir no paraíso, enquanto você reside no inferno. Bela ironia do destino: separar-nos até após a morte.
Thurias Maldin.
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...