quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Segunda Epístola a Uma Meretriz Morta

Seis de Abril de 1996.

Fingida,

Já se passaram dois anos desde que partiste. Escrevo-lhe sim, mas esta, ao contrário do que possas pensar, não é a segunda vez que lhe escrevo, mas sim a segunda vez que lhe envio algumas palavras.

Não quero falar de mim, muito menos quero falar de nós, quero falar de você. Não passas de uma atriz, uma prostituta que tem, como todas as outras, o poder de fingir tão completamente que não há aquele ser pisante na terra não acredite em suas palavras, em seus gestos, sua vadia!

Afirmas, no mais eloqüente de todos os silêncios, que está morta, que sua carne e sua alma não mais aqui habitam, fala que seu corpo padece perante os vermes e que teu espírito vaga em outra dimensão, mas nós dois sabemos que isso não é verdade, sabemos que tu vives, talvez você viva mais intensamente do que antes, mais do que eu agora. Você vive em mim, em meus pensamentos, em meu semblante, em minhas orações, em minha solidão.

Tenho novidades: assassinei o maldito que lhe tirou a vida. Ora, não faça essa cara de espanto! Você sabe muito bem que tudo o que eu fiz, faço e farei é por ti. Fiz com ele tudo o que ele fizera contigo: enfiei uma faca em sua nuca de tal forma que a lâmina atravessara a laringe e a faringe, depois o abri e arranquei todas as suas vísceras lentamente, ejaculei na face dele e, em seguida, o desfigurei com a lâmina do meu punhal.

Oh não! Por que cometi tamanha tolice? Agora ele se encontra no inferno juntamente a ti. Sim, já consigo ver! Você está deitada e ele começa a despi-la e a usá-la. Não permita! Sua traidora! Jamais lhe perdoarei essa sua promiscuidade infinda.


Amaldiçoar-te-ei eternamente.

Thurias Maldin.

1 imaginações a respeito:

wanessa disse...

muito bom isso...amei

Postar um comentário

Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...


blog criado em 23 de Julho de 2009

Labels