Ele parou, olhou para um lado até o fim do horizonte, olhou para o outro até onde a vista alcançava, esperou e refletiu. Depois, repetiu esse exercício algumas vezes até que, de repente, sem hesitar (após tanto hesitar), obteve êxito!
Atravessou a rua.
Como se houvesse algo no outro lado, ele atravessou. Porque atravessou? Talvez porque o outro lado fosse mais alto e que, do lado de cá, não dê para ver nada.
Ele sumiu.
Não ficou parado na beirada da calçada, mas continuou a seguir o caminho do outro lado da rua. Mas não consigo vê-lo mais, pois não atravessei a rua como ele.
O outro lado era alto demais para mim.
Muitas pessoas do lado de cá analisaram a situação. Alguns corroboravam com a hipótese de que algo que apenas ele poderia ouvir o chamava incessantemente, pois, segundo os defensores dessa idéia, não havia por que ele se arriscar em atravessar aquela rua sem um sentido lógico para isso. Outros afirmavam que ele fugia do lado de cá, pois algo ainda desconhecido por nós o ameaçava.
Confesso que simpatizo muito com a segunda idéia. Mas prefiro acreditar em uma terceira objeção: a de que nós não estamos do lado mais baixo, e sim do lado mais alto e que tudo o que aconteceu foi um tropeço e uma queda para o outro lado da rua.
Para mim, ele se rebaixou e não se elevou.
Eis a pergunta que não se cala: se estamos do lado mais alto, porque não enxergamos o que está do outro lado? Uma resposta é muito simples: não enxergamos porque, ao invés de olhar para baixo, olhamos para cima e tudo o que vemos é um céu vazio e abstrato.
Essa idéia fez de mim um pensador notável do lado de cá da rua, mas o que será que pensam da minha idéia do lado de lá? Não tenho a intenção de pagar para ver.
Nesse momento, ele [o cara que atravessou a rua] deve estar olhando para baixo, acreditando que está acima de nós e rindo incontrolavelmente, pensando que está tão alto que não dá mais para ver o nosso lado e que, portanto, nós jamais poderemos alcançá-lo. Ele acredita piamente que se elevou diante de nós, e que a nossa vida aqui é inferior demais para o Novo Mundo que descobriu.
Mas quer saber? Prefiro ficar do lado de cá, sinto-me mais seguro aqui. Todos se sentem bem aqui. Ir para lá é loucura e aqui a lucidez é a palavra de ordem.
Atravessou a rua.
Como se houvesse algo no outro lado, ele atravessou. Porque atravessou? Talvez porque o outro lado fosse mais alto e que, do lado de cá, não dê para ver nada.
Ele sumiu.
Não ficou parado na beirada da calçada, mas continuou a seguir o caminho do outro lado da rua. Mas não consigo vê-lo mais, pois não atravessei a rua como ele.
O outro lado era alto demais para mim.
Muitas pessoas do lado de cá analisaram a situação. Alguns corroboravam com a hipótese de que algo que apenas ele poderia ouvir o chamava incessantemente, pois, segundo os defensores dessa idéia, não havia por que ele se arriscar em atravessar aquela rua sem um sentido lógico para isso. Outros afirmavam que ele fugia do lado de cá, pois algo ainda desconhecido por nós o ameaçava.
Confesso que simpatizo muito com a segunda idéia. Mas prefiro acreditar em uma terceira objeção: a de que nós não estamos do lado mais baixo, e sim do lado mais alto e que tudo o que aconteceu foi um tropeço e uma queda para o outro lado da rua.
Para mim, ele se rebaixou e não se elevou.
Eis a pergunta que não se cala: se estamos do lado mais alto, porque não enxergamos o que está do outro lado? Uma resposta é muito simples: não enxergamos porque, ao invés de olhar para baixo, olhamos para cima e tudo o que vemos é um céu vazio e abstrato.
Essa idéia fez de mim um pensador notável do lado de cá da rua, mas o que será que pensam da minha idéia do lado de lá? Não tenho a intenção de pagar para ver.
Nesse momento, ele [o cara que atravessou a rua] deve estar olhando para baixo, acreditando que está acima de nós e rindo incontrolavelmente, pensando que está tão alto que não dá mais para ver o nosso lado e que, portanto, nós jamais poderemos alcançá-lo. Ele acredita piamente que se elevou diante de nós, e que a nossa vida aqui é inferior demais para o Novo Mundo que descobriu.
Mas quer saber? Prefiro ficar do lado de cá, sinto-me mais seguro aqui. Todos se sentem bem aqui. Ir para lá é loucura e aqui a lucidez é a palavra de ordem.
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