Eram cinco e meia da manhã quando a última cerveja foi servida. Não havia mais ninguém naquele elegante bar da Avenida São Francisco, a não ser os dois garçons, a moça bonita do caixa, uma senhora que fazia a limpeza e o vendedor de flores que não parava de insistir que comprássemos aquelas flores murchas e presenteássemos uns aos outros com elas. Mal sabia ele que, para grandes escritores como nós, filhos de Alberto Caeiro, as flores não representavam nada além do que simples flores e que flores murchas eram apenas flores murchas.
Alice, a poetisa das pedras levantou-se e foi ao banheiro. Rita, a contista das belas paisagens a acompanhou. Não voltaram mais.
Enquanto demoravam, fui o primeiro a perceber que elas não voltariam e que a conta de R$102,58 teria de ficar entre o Cícero, o Cidão e eu.
Cidão, o cronista da tragédia não estava bem do estômago e foi correndo vomitar em algum lugar. Foi bom tê-lo conhecido, ele era um bom rapaz. Também não voltou.
Sabia que o sumiço deles não era acidental, e que eles não fugiriam para não pagar a conta, afinal, naquelas torres imensas de egos inclinados, todos tinham dinheiro para pagar, menos eu. Eu era o único que não conseguia ganhar dinheiro com os livros que escrevia.
Então, no minuto seguinte, eu – o escritor da morte e da melancolia – parti em direção ao banheiro. Queria saber por que todos sumiram, na esperança de também sumir e não ter que dividir a conta com o Cícero, o escritor dos finais felizes, o mais rico de todos nós. Então, quando andava naquele corredor escuro eis que vi os corpos dos meus amigos estirados ao chão em meio à imensa poça de sangue. O vendedor de flores os matou e deixou flores murchas em suas bocas. Eu corri, escapei sem que ele me visse, joguei a metade do dinheiro da conta sobre a mesa, virei o último copo de cerveja e me despedi de Cícero.
É hilário saber que o escritor da morte tenha sido o único a escapar para poder narrar a morte dos outros, uma vez que Cícero também foi morto enquanto pagava a conta (dessa vez foi o garçom). O vendedor foi preso, o garçom escapou. O plano é tentar ganhar algum dinheiro com esse conto aqui.
Alice, a poetisa das pedras levantou-se e foi ao banheiro. Rita, a contista das belas paisagens a acompanhou. Não voltaram mais.
Enquanto demoravam, fui o primeiro a perceber que elas não voltariam e que a conta de R$102,58 teria de ficar entre o Cícero, o Cidão e eu.
Cidão, o cronista da tragédia não estava bem do estômago e foi correndo vomitar em algum lugar. Foi bom tê-lo conhecido, ele era um bom rapaz. Também não voltou.
Sabia que o sumiço deles não era acidental, e que eles não fugiriam para não pagar a conta, afinal, naquelas torres imensas de egos inclinados, todos tinham dinheiro para pagar, menos eu. Eu era o único que não conseguia ganhar dinheiro com os livros que escrevia.
Então, no minuto seguinte, eu – o escritor da morte e da melancolia – parti em direção ao banheiro. Queria saber por que todos sumiram, na esperança de também sumir e não ter que dividir a conta com o Cícero, o escritor dos finais felizes, o mais rico de todos nós. Então, quando andava naquele corredor escuro eis que vi os corpos dos meus amigos estirados ao chão em meio à imensa poça de sangue. O vendedor de flores os matou e deixou flores murchas em suas bocas. Eu corri, escapei sem que ele me visse, joguei a metade do dinheiro da conta sobre a mesa, virei o último copo de cerveja e me despedi de Cícero.
É hilário saber que o escritor da morte tenha sido o único a escapar para poder narrar a morte dos outros, uma vez que Cícero também foi morto enquanto pagava a conta (dessa vez foi o garçom). O vendedor foi preso, o garçom escapou. O plano é tentar ganhar algum dinheiro com esse conto aqui.
7 imaginações a respeito:
Ei, gostei dessa história! Bem interessante mesmo...
Abraço
a-rrá.
eu ri. alto.
um conto para ganhar dinheiro e rir muito da desgraça alheia.
Adoreeeeeiiii!
Que bom saber que alguém sobreviveu...
Só uma pergunta... Por que a Alice tinha que ser a primeira??
Puxa! Esse foi um dos seus melhores contos.
Gostei mesmo. Texto irônicos como esse combinam mais com você do que textos melancólicos...
Beijos da Tereza
Alice, eu gosto do seu nome. Só isso!
^^
É... Eu tbm gosto. ^^
pela primeira vez você não matou o eu lirico e mesmo assim ficou muito bom...bom mesmo...posso dizer que foi o seu melhor conto tmb...bjos
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Eis a caixa da vida. Quem aqui escreve algo, mostra que não está morto...